Em 2012, André Sant’Anna subiu no tablado do Consulado Geral do Brasil e leu um trecho de Amor, seu primeiro livro:


“O Cristo e o governo e as bocetas nesse mundo e aquela cena da cobra engolindo o sapo e os leões devorando as criancinhas que esguicham sangue e o sol secando o sangue das criancinhas e o sangue das criancinhas se decompondo e liberando carbonos e formando petróleo: o combustível do piloto de carros em chamas. O piloto se queimando e derretendo e liberando carbonos e toda essa angústia o tempo todo. Aquelas palavras e aqueles livros todos explicando as palavras e as palavras dos livros e a história do Cristo, lá, todo ensanguentado na cruz e o sol secando o sangue do Cristo e os vermes devorando o corpo do Cristo e o combustível do piloto de carros em chamas e as crianças esguichando sangue e aquele programa divertido da televisão com o cara explicando todas aquelas palavras e a dor. A dor e aquele livro cheio de palavras e o Presidente da República falando aquelas coisas todas para o povo e o povo ouvindo o Presidente da República e a dor do povo e o sangue do povo esguichando e o sol secando o sangue do povo e o povo em chamas nas revoluções e o povo ouvindo a história do Cristo e o povo bebendo o sangue do Cristo e o fedor do povo e o Presidente da República e essa angústia toda entre os homens e as mulheres fazendo sexo e todas essas doenças no sangue do povo fazendo sexo e produzindo criancinhas e liberando carbonos o tempo todo e os organismos fedendo e a gordura nos organismos e aquelas mulheres. Aquelas bocetas e aquelas palavras todas e o sangue e o povo comendo o cadáver do Cristo e o povo comendo cadáveres diversos e o sol, lá em cima, secando o fedor do povo e as palavras todas e os problemas do povo.”


Os alemães com casacos felpudos, o cônsul, a consulesa – todos naquela sala levantaram e aplaudiram de pé.



Leia o perfil completo de André Sant’Anna: http://www.istonaoeumcachimbo.com/