Na semana em que os quatro escritores acima fizeram aniversário, Luiz Nadal, o editor do site Isto não é um cachimbo – Perfis Literários, foi convidado a fazer uma homenagem. Uma espécie de potpourri para lembrar autores tão diferentes em um único álbum. O texto foi publicado no caderno Cultura do jornal Diário Catarinense neste último domingo. Abaixo, é possível lê-lo sem comprimir os olhos:



Os Hits da Literatura Brasileira


Na semana em que quatro grandes escritores da literatura brasileira fizeram aniversário, as palavras seriam poucas para homenageá-los. Só mesmo um álbum com os melhores hits de cada voz literária poderia fazer a festa maior. Monteiro Lobato, Manuel Bandeira e Hilda Hilst completaram aniversário póstumo nestes três últimos dias. Enquanto Lygia Fagundes Telles chega aos 90 anos de vida.


Faixa 1 – As marchinhas de Monteiro Lobato


Monteiro Lobato (18/04) foi o abre alas da literatura infantojuvenil brasileira. Se as aventuras de Narizinho, Pedrinho e Emília não são tão lidas como na época, certamente são acompanhados pela televisão com o mesmo entusiasmo. Foi com a adaptação da Rede Globo, em 1977, que o tema de abertura de Gilberto Gil, o folclore nacional e os costumes da roça se firmaram no enredo do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Ao mesmo tempo, seus artigos engajados saudavam o ícone caipira Jeca Tatu e apertavam o compasso com as censuras de Getúlio Vargas. Sempre com os dedinhos em riste.


Faixa 2 – O beatbox de Manuel Bandeira


Manuel Bandeira (19/04) teve a sua ausência lembrada até quando vivo. Convidado a participar da Semana de Arte Moderna de 1922, o escritor enviou o poema intitulado Sapos para ser lido durante o evento. A percussão vocal feita pelo intérprete ecoou no Teatro Municipal de São Paulo. Manuel não caía mais nas rimas parnasianas. Com a cavidade bucal narrava as notícias do dia e com os nasais empregava ritmo e graça aos poemas. Tudo ao mesmo tempo.


Faixa 3 – O soul de Hilda Hilst


Hilda Hilst (20/04) fez duetos memoráveis com Lygia Fagundes Telles na boêmia paulista. Sua beleza e seus modos escandalizavam a alta sociedade. Inúmeros artistas suspiraram sobre versos belos e infâmes da sua autoria. Drummond lhe dedicou um poema, Adoniran Barbosa escreveu Quando te achei e Vinícius de Moraes quase parou de beber. Hilda se retirou para escrever em paz na sua fazenda. Se entoasse versos para alguém, Marlon Brando seria o seu muso.


Faixa 4 – A valsa de Lygia Fagundes Telles


Lygia Fagundes Telles (19/04) conserva graves e agudos aos 90 anos. Seu fôlego perdura desde o romance Ciranda de Pedra (1954), adaptado pela Rede Globo em 1981 e repetido com um bis em 2008. Lygia ensaiou alguns passinhos com Oswald e Mário de Andrade, além de orquestrar jantares dançantes com Tarsila do Amaral, Anita Malfati e Heitor Villa-Lobos. Hoje, sentada na cadeira da Academia Brasileira de Letras, colocaremos Strauss em sua homenagem. Para que continue tão afinada e tão plácida.