O paraíso é bem bacana de André Sant’Anna é povoado de personagens que falam à sua maneira. Imigrantes, alemães e jogadores de futebol constróem a história do craque Mané, jogador que deixa Ubatuba aos 17 para jogar no clube Hertha Berlin, na Alemanha. “Meu personagem fala pobrema” – André alerta. No estrangeiro, o protagonista se converte ao islamismo. Deslumbrado com as 72 virgens que a tradição muçulmana promete, faz um atentado terrorista em campo. Após a tragédia, os delírios de Mané no paraíso se tornam parte importante da sua biografia. Leia o trecho abaixo:



Tadinho do Mané. Moleque, moleque. Porra, dezessete ano. Ele só precisava era comer uma buceta, caralho. A gente levava ele nas parada da night, ele ficava olhando pras gata com aquela cara de mamãe-eu-quero, mas morria de medo. Eu até achei que o Mané era viado, mas não era não. O Mané era é envergonhado. Era só ver uma gostosa que ele já começava a suar, podia estar vinte abaixo de zero que ele ficava todo suado. E as gata dava tudo em cima dele. Aqui não é que nem no Brasil, não. Aqui, preto faz o maior sucesso, caralho. Lá no Brasil, só depois que a gente fica famoso. Mas, aqui, é show. Preto, brasileiro… Esse negócio de jogador de futebol nem interessa muito. Podia ser até vendedor de caipirrrrrinha! Umas trancinha ajuda, mas já tá ficando fora de moda e eu vou cortar. Já comi umas de quinze, dezesseis aninho. Tudo querendo conhecer o tamanho da jeba do negão. Mas o Mané é mané mermo. Em vez de comer as loirinha, foi se meter com aquela galera. Eu avisei pro cara. O pessoal aqui gosta de negão, mas turco não come ninguém. Até come aquelas mocréia deles, mas as gostosinha, as lourinha rastafári… ai, meu Deus, cada bucetinha… Eu não podia imaginar que ele ia levar aqueles folheto tão a sério. O Mané era muito burro, acreditava em tudo o que a gente falava. Pô, será que eu tive culpa? Não… eu só tava sendo psicólogo dele, que o moleque tinha problema psicológico. Eu falei pra ele que eu não acreditava em nada daquelas parada. Eu vou pra night, saio com as gata, mas eu acredito é em Deus, católico, apostólico, romano. Deus é Deus. Maomé, questão de fé.



Eu não tenho pena desse paciente. Já vi gente muito melhor, gente boa mesmo, criança, pai de família, morrendo. Esses turcos são todos malucos. Ele não queria morrer mesmo? Pois então, vai morrer. Ainda bem que não levou ninguém junto com ele. Quer saber? Ele não vale o soro que eu vou dar a ele. Como fede esse turco! Eu é que vou ter que limpar.



Agora elas faz só carinho que eu tô um pouco cansado de ficar trepando nelas. Mas não é cansado assim ruim, é cansado bom, igual depois do jogo, quando tira as chuteira e dá aquele friozinho nos dedo e a gente ganha massagem do Hans e depois põe os pé na água quente. Agora é assim, só que muito melhor, que as mulher é tudo cheirosa e limpinha e virgens de novo até depois de ficar trepando ni mim. E fica apertando nas perna, nas costa, no pescoço e passando uns creme fresquinho e fazendo uns carinho nas orelha e dando uns beijinho no meu pinguelo que fica sempre duro até agora e gostoso e não precisa ficar correndo pra comer elas, setenta e duas, de novo, porque eu vou ficar comendo elas de novo pra sempre e quando eu ficar cansado assim de novo, eu vou ficar vendo elas trepando nelas mesma, ficando se esfregando e eu fico só chupando uvas e as mulher vai trazer pipocas pra mim, pra gente tudo, eu e elas, e esses vinho que não deixa a gente bebo e eu vou ficar assim só feliz com o pinguelo doce que elas adora e eu adoro elas também, porque é tudo amor de verdade e eu sei que eu não sou viado, não, porque eles lá em Ubatuba não têm as setenta e duas mulher que eu tenho porque eu sou macho mesmo e agora eu sei e eu ganhei de prêmio, muito melhor que taça de campeonato, o prêmio que é amor. Isso é que é amor mesmo que elas sente ni mim e que eu sinto nelas que é amor de ficar gostando mesmo, todas horas, melhor que o amor da mãe que nem ligava quando os índio daqueles cara ficava batendo ni mim e falando que a mãe era biscate e até puta mesmo. A mãe tomava pinga, pinga ruim de boteco mesmo e ficava largada lá na praça com os bebo que depois batia nela, mas eu não vou nem lembrar porque agora eu quero ficar só feliz aqui com esses carinho e depois vou continuar de novo a comer elas. Eu vou fazer mais coisa ainda, que nem naqueles filme que o Jeipom tinha na casa dele, que nem os filme que tinha lá perto da Tizôo Gartem que o Uéverson me levava pra ver naquelas sala escura e tinha até mulher mesmo, de verdade, que ficava mostrando, abrindo as bucetinha pra mim ver, mas não podia relar nelas e essas aqui que são limpinha e bonita que nem as artista da novela eu posso relar na hora que eu quero e posso até ficar lambendo que tem tudo gosto de mel e cheiro de eucalips até no cuzinho. E se fizesse filme com nós, o Jeipom ia comprar os filme, ia ficar me vendo comendo elas tudo que nem naqueles filme dele e ia ficar todo mundo, aqueles cara, tudo índio, olhando pro meu pinguelo e fazendo punheta me vendo. Tudo com inveja, que eles só faz troca-troca e eu não. Eu fico é comendo essas mulher bonitas, tudo virgens dando as bucetinha só pra mim e fazendo carinho nas minha orelha. Dando beijinho.



Que fedor! O cara não pára de cagar, coitado. Tá todo fodido e essa enfermeira racista não faz nada, só porque o cara é árabe. Mas, aqui na Alemanha, eu aprendi um truque – é só chamar os alemães de nazistas que o tratamento muda na hora, quer ver?


Já leu o perfil literário de André Sant’Anna? Então leia aqui.