A escritora: Priscila Lopes


Priscila se apresentou dizendo: “Eu não sou escritora. Juro”. De qualquer modo, acreditamos que tenha nascido em Florianópolis há 30 anos. Durante os dias úteis é possível vê-la vestida de analista comercial. Mas os livros que leva na bolsa, esses ninguém vê. Priscila é discreta e não gosta de babações literárias. Ao receber o Prêmio Canon de Poesia e o Concurso de Contos Luís Jardim, pediram – por favor – que tirasse os óculos escuros. Também teve um conto publicado na Revista CULT, O intangível, em 2009. Mas isso não importa. Priscila não é uma escritora. Qualquer.



O site: http://pricostalopes.wix.com/priscila-lopes



Os contos: Priscila ganhou a Bolsa para Autores com Obra em Fase de Conclusão da Biblioteca Nacional em 2009. Quando se deu conta, já estava publicando o seu primeiro livro. Uns traços, todos imponderáveis (Editora da Casa) é charmoso. Mas isso não importa, porque é lacônico e inconveniente. Leia:



(Anotações)


Cinco


Estou sentimental por um tempo, talvez amanhã passe, mas ontem não foi assim. É verdade que exagero os sentimentos. Outro dia, tive raiva e me bati. Mas sejamos honestos: mil perdões por interromper seu cafezinho expresso.



(Mais umas de amor)


– Eu sou o seu programa humorístico de sábado à noite. Prazer.



(Aquilo que não é suficientemente claro ou definido para ser percebido ou entendido)


E nesse momento ela tomou aquela tragada de ar, que é na verdade uma tomada de ação, e ergueu-se do banco. Colocou uma das mãos no bolso, com a outra inclinou-se e me deu um beijo no rosto; tornou o silêncio tão irresistível que eu nem disse nada.)