O 2º encontro que desmonta os escritores da literatura contemporânea, o Isto não é um perfil, teve a presença do escritor Ricardo Lísias, autor do romance recém-lançado, Divórcio. Com mais de 4 mil amigos, pelo menos no facebook, Lísias atraiu mais leitores do que as cadeiras da Casa das Rosas foram capazes de receber.




Ricardo Lísias foi o entrevistado inaugural do projeto de perfis literários. Na edição #1 oferecemos o seu primeiro retrato ficcional, servido com café espresso, rosquinhas e marshmallows. Um ano e quatro meses depois, Lísias foi entrevistado novamente pelo idealizador do projeto, Luiz Nadal. Desta vez diante do público.




Ricardo leu alguns trechos de trabalhos mais antigos para demonstrar o seu projeto literário: “Fazer textos em que haja uma mudança formal, mas que lide com questões permanentes”.




Na novela Capuz, por exemplo, o personagem é jogado em uma sala vazia. Com um capuz na cabeça, ele narra apenas o que consegue ver. A fala solitária, que chega ao delírio, foi interpretada pelo autor – também em uma sala vazia, no entanto, sem capuz. Apesar da loucura ser um tema constante na sua obra, ficou comprovado que Lísias não é desajustado, nem sofre dos nervos como os seus personagens.




Momentos marcantes na carreira do autor foram relembrados, como o dia em que recebeu o prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira pelo romance Duas Praças. Foi a primeira vez que ficou conhecido como Ricardo, o Ricardo Lísias. “Prêmio literário é coisa brasileira”, o autor comentou os perigos de pautar o trabalho literário pela premiação.




Durante os quatro anos em que escreveu O livro dos mandarins, obra finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, Ricardo assumiu gostos peculiares. Ao contar a história de um executivo bem-sucedido que disputa uma vaga para trabalhar na China, o escritor fez uma imersão no mundo corporativo. Além de conquistar uma escrita fria, repetitiva e quase documental para o romance, tomou gosto pelos ternos e ainda lembra algumas palavras das aulas de mandarim.




O escritor Evandro Affonso Ferreira, vencedor do 55º Jabuti, que até então ouvia tudo discretamente, esperou o rapaz da frente terminar o comentário, tirou o chapéu e revelou que todo o dinheiro ganho por Ricardo no prêmio Portugal Telecom foi gasto em livros. Evandro era dono do Sebo mais frequentado pelo autor paulistano. “Ele deixaria os ternos, se fosse preciso”, garantiu a todos.



O evento teve a cobertura especial da produtora Kombi C.C. Muito em breve, o vídeo do evento será disponibilizado com os melhores momentos do encontro. As fotos foram feitas pelo jornalista e escritor, Carlos Neves. No seu site Fotos & Feitos, é possível ver mais registros do evento, além de outros tantos eventos culturais. A próxima desmontagem de escritores, com Andréa Del Fuego, será realizada na penúltima semana do mês de outubro, terça-feira (22/10).