O site Posfácio organizou sua tradicional lista de melhores leituras em 2013. Entre escritores, jornalistas, tradutores e entusiastas da literatura, lá está a nossa dica, dada pelo editor do Cachimbo, Luiz Nadal.



Chega de saudade – A história e as histórias da Bossa Nova (Cia das Letras), de Ruy Castro, foi um paninho úmido sobre a testa no meu primeiro verão no Rio de Janeiro (com média superior a 35 graus). A história da Bossa Nova, reconstruída por Ruy, é quase um romance, melhor bebido embaixo do guarda-sol, o pé enterrado na areia e alguns espetinhos de camarão. Como a senhora biografia que é, cada conversa de boteco, notícia ou boato de bastidor foi apurado pelo autor. A objetividade dos fatos traz uma Copacabana dos anos 50 que deixaria qualquer turista arrependido em gastar suas horas dentro de um shopping center. Nenhum bebum, tiete, músico ou produtor foi deixado de lado desde a criação do 1º fã-clube do Brasil, inaugurado por um grupo de garotas e rapazes em um porão da Tijuca, no verão de 49. Além de mapear cada suspiro provocado pela nova forma de fazer samba, até a chegada posterior das músicas de protesto e festivais da canção, ganham trechos ensolarados os maiores protagonistas bossanovistas, como João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Mas definitivamente são de Joãozinho as histórias mais inacreditáveis, como quando o cantor de Juazeiro arranca um autógrafo de Drummond, ainda anônimo, na Av. Rio Branco. Ou quando deixa Jorge Amado, na companhia de Sartre e Simone de Beauvoir, com o cafezinho esfriando, depois de prometer “Eu já vou!” no telefone. Histórias boas e finissimamente contadas, com o mérito de tornar (quase) compreensível o dono da batida revolucionária de violão. Um livro que reage bem a altas temperaturas e tem o plus de inundar a playlist com repertório abundante de jazz, blues e samba. Veja a lista completa, aqui.