(Foto: Jackson Oliveira)

(Foto: Jackson Oliveira)


Uma novo evento de Desmontagem de escritores foi realizado na Casa das Rosas na noite de quinta-feira (10/04). Com a participação especial de André Sant’Anna, a entrevista ao vivo foi totalmente inspirada pelo perfil literário do escritor (leia!).


(Foto: Jackson Oliveira)

(Foto: Jackson Oliveira)


Na história criada por Luiz Nadal no perfil literário, André apresenta todos os seus livros como se fossem ações de uma campanha publicitária. Pensando nisso, o entrevistador e autor dos perfis propôs que a 6ª edição de Desmontagem abrisse as portas da agência para que os leitores participassem da reunião.


No perfil literário, o livro Amor é descrito como se fosse uma caixinha de música.

No perfil literário, o livro Amor é descrito como se fosse uma caixinha de música.


O primeiro livro de André, intitulado Amor, foi publicado em 1998 pelas Edições Dubolso. Aos 34 anos André lançava um livro completamente novo para o momento que a literatura contemporânea vivia e diferente do que o seu pai, Sérgio Sant’Anna, faz em termos de literatura. Amor é uma espécie de poema sem narrador que se fez ouvir por um ritmo originalíssimo de escárnios e repetições. Depois de conversar sobre o livro pedimos a André que lesse o trecho que apresentou à plateia do Consulado Geral do Brasil, em 2012 – ocasião em que foi convidado para uma leitura pública. Para ambientar a performance do escritor convidado, convocamos os espectadores alemães que estava presente na ocasião.


Plateia presente na leitura de André Sant'Anna do seu livro de estreia, Amor - Consulado Geral do Brasil, Frankfut, 2012.

Plateia presente na leitura de André Sant’Anna do seu livro de estreia, Amor – Consulado Geral do Brasil, Frankfut, 2012.



Leia o trecho (e imagine as reações do público europeu):


“O Cristo e o governo e as bocetas nesse mundo e aquela cena da cobra engolindo o sapo e os leões devorando as criancinhas que esguicham sangue e o sol secando o sangue das criancinhas e o sangue das criancinhas se decompondo e liberando carbonos e formando petróleo: o combustível do piloto de carros em chamas. O piloto se queimando e derretendo e liberando carbonos e toda essa angústia o tempo todo. Aquelas palavras e aqueles livros todos explicando as palavras e as palavras dos livros e a história do Cristo, lá, todo ensanguentado na cruz e o sol secando o sangue do Cristo e os vermes devorando o corpo do Cristo e o combustível do piloto de carros em chamas e as crianças esguichando sangue e aquele programa divertido da televisão com o cara explicando todas aquelas palavras e a dor. A dor e aquele livro cheio de palavras e o Presidente da República falando aquelas coisas todas para o povo e o povo ouvindo o Presidente da República e a dor do povo e o sangue do povo esguichando e o sol secando o sangue do povo e o povo em chamas nas revoluções e o povo ouvindo a história do Cristo e o povo bebendo o sangue do Cristo e o fedor do povo e o Presidente da República e essa angústia toda entre os homens e as mulheres fazendo sexo e todas essas doenças no sangue do povo fazendo sexo e produzindo criancinhas e liberando carbonos o tempo todo e os organismos fedendo e a gordura nos organismos e aquelas mulheres. Aquelas bocetas e aquelas palavras todas e o sangue e o povo comendo o cadáver do Cristo e o povo comendo cadáveres diversos e o sol, lá em cima, secando o fedor do povo e as palavras todas e os problemas do povo.”



O segundo livro do autor, Sexo (7Letras), foi lançado um ano depois, em 1999. Dessa vez a recepção crítica foi quase unânime sobre a originalidade do seu trabalho. No perfil literário, o livro de André é comparado a uma maquete hiper-realista de São Paulo. Durante a conversa, o autor teve a chance de explicar melhor como concebeu o cenário, os personagens paulistanos estereotipados e a chamada “linguagem preconceito”.



O romance O paraíso é bem bacana (Cia das Letras) foi lançado em 2006. O perfil literário se refere ao livro como um collage de 400 páginas, já que para montar a biografia do craque Mané – o personagem Manoel dos Anjos, que deixa Ubatuba aos 17 para jogar no clube Hertha Berlin, na Alemanha – o autor cria uma espécie de mosaico de diálogos em 1ª pessoa. Na entrevista, André falou sobre a utilização dos clichês da burrice que compõem as falas do personagem semianalfabeto. E não ficou de fora a repercussão que um livro que desrespeita as normas gramaticais pode causar na crítica literária.



Os livros de contos ganharam um bloco especial. Além da edição Amor e amizade (Cia das Letras), que reúne grande parte de suas narrativas curtas, o livro Inverdades (7Letras), publicado em 2009, foi discutido quanto ao seu teor político e humorístico. Os 15 relatos ficcionais têm como personagens celebridades da mídia, ícones pop e autoridades políticas. Ao final, o escritor apresentou o seu trabalho mais recente, O Brasil é Bom (Cia das Letras), poucos dias antes do lançamento oficial.



A próxima Desmontagem será realizada no dia 15 de maio (quinta-feira), às 19h30, na Casa das Rosas. João Carrascoza é o próximo escritor convidado. Acompanhe nossa programação através da página no facebook!